SONETO 41
Se tudo na vida do trabalhador
Fosse dor, sofrimento e cinzas
Faliriam todas a fábricas de pinga
E Quando lhe viesse um filho não sabia onde pôr.
Por mais que lhe torne um estupor
A vida, nunca lhe vence a burguesia
Que torra sua grana em putaria
Mas nunca saberá mesmo o que é o amor.
Com um pouco de cana o pobre faz
Um samba, um forró, uma banda de jazz
E vai até de manhã sacudindo a caveira.
E se não for picado pela mosca varejeira
Da boçal moral da classe burguesa
Dá conta de sobra de filhos, netos e muito mais.
02/03/18
Ilustração Kathe Kollwitz
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