SONETO 44
Batalhar, batalhar, batalhar
É a vida do trabalhador
Pouquinhas gotas de seu suor
Ele consegue acumular.
Uma gota lhe permite sonhar
Com um mundo encantador
Outro gota lhe permite supor
Esse mundo para já.
Que graça haveria em sonhá-lo
Para um eterno depois?
E depois... o depois é longe demais!
Sonho adiado a traça rói
E na poalha que sobra desse sonhar
Não se vê sequer réstia de quem sonhou.
12/03/18
Ilustração: Ricardo Carpani. Os muros da revolução (arte muralista).
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