SONETO 40
Quem diz serem todos no mundo corruptos
Usa de malandragem pobre de esperteza
Pra justificar sua própria safadeza
Mais honesto seria subir numa ponte
E se jogar dela com uma pedra na cabeça
Amarrada firme e forte.
Mas o covarde que nesse lero-lero se esconde
Nunca vai deixar que aconteça
De a honestidade lhe picar nalguma parte
Porque sua hipócrita moral burguesa
Se é toda estropiada de nobreza
Não falha em vício de classe um só minuto.
O serem todos filhos da puta
Inocenta o burguês de ser o maior de todos.
02/03/18
Ilustração: George Grosz: Rua de Nova Iorque, 1932.
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